Porque os políticos também precisam de um assessor de imprensa

Porque os políticos também precisam de um assessor de imprensa

O assessor de imprensa e Relações Públicas estão acostumados a realizar a assessoria de comunicação para empresas, com foco nas estratégias organizacionais e na melhoria da imagem da marca, por meio de um trabalho sistematizado de relacionamento com a mídia e seus diversos públicos.

Porém, uma categoria que necessita fortemente deste trabalho é a de políticos e pessoas públicas. Por se tratar de um perfil muito peculiar, muitas vezes os assessores de imprensa e RP se perdem ao assessorar um político, pois têm de lidar constantemente com crises, críticas e notícias falsas, que afetam diretamente a vida dos públicos da política: os eleitores.

Mais do que pensar na campanha eleitoral, que acontece a cada quatro ou dois anos, a comunicação para o político deve ser feita diariamente, inclusive durante o mandato em exercício. Se você é um assessor de pessoas públicas, deve sempre se lembrar que cada ação realizada pelo político durante o mandato interfere na vida de toda a sociedade, em assuntos de extrema relevância como saúde, educação, criação de leis e, ainda, a fiscalização dos poderes do país.

Por isso, ao assessor cabe o papel de evidenciar e divulgar as boas ações dos políticos, de forma a fazer com que as mudanças provocadas na sociedade cheguem ao ouvido dos cidadãos. Aqui não se trata de fazer propaganda infundada apenas para angariar votos, mas fazer com que as pessoas tenham acesso às melhorias no seu dia-a-dia e usufruam dos benefícios.

Em relação às campanhas eleitorais, este é o período que a assessoria é mais indispensável. Quanto mais elevada for a pretensão política, maior será a necessidade de uma boa assessoria de imprensa. O político não deve se iludir: ninguém é autossuficiente ou capaz de cuidar sozinho de tudo.

Neste período, a função principal da comunicação é a de preparar o candidato para que possa ganhar espaço nos veículos e ser bem-sucedido nos seus contatos com os jornalistas, orientando-os sobre as características de cada veículo e sobre a melhor maneira de conduzir suas entrevistas. É preciso evitar escorregões ou situações embaraçosas que possam prejudicar todo o planejamento de comunicação da campanha.

São diversas as funções do assessor de imprensa e Relações Públicas na política:

  • Monitorar tudo que for citado na mídia sobre a pessoa pública, sobre seus concorrentes e os fatos ambientais, econômicos e sociais que ocorrerem na sua cidade ou estado.
  • Explicar para o político sobre o funcionamento da imprensa, características de cada veículo, prazos para veiculação das notícias, técnicas de entrevistas e aparição na televisão e vídeos.
  • Criar releases e conteúdos que serão distribuídos para os meios de comunicação.
  • Preparar papers, documentos, pronunciamentos por escrito, discursos, palestras e conferências para o político.
  • Assessorar o gabinete sobre interesses, tendências e perfis ideológicos dos meios de comunicação.
  • Informar, orientar e explicar as diretrizes, ações estratégicas e posições do político ao meio jornalístico.
  • Promover relações cordiais com os meios de comunicação, seus diretores e editores, e propiciar condições para o bom desempenho das funções jornalísticas.
  • Estar atento às demandas dos eleitores e da sociedade em geral, para criação de novas medidas em benefício ao país, alinhadas a esses interesses.
  • Atentar-se também à opinião dos eleitores e os impactos causados pelas ações da pessoa pública
  • Garantir a visibilidade e presença positiva na mídia nos períodos eleitorais

 

Seguindo essa linha, você pode ver que a assessoria deve ser similar à de uma empresa. O passo-a-passo ideal é iniciar pelo planejamento das mensagens-chave a serem passadas de acordo com as estratégias da campanha ou do mandato. Paralelamente, alinhar a estratégia de imprensa com a de mídias sociais, marketing e relacionamento com as comunidades onde o político atua, sempre com apoio jurídico.

Depois, realizar um treinamento de mídia com a pessoa pública, para que ela possa transmitir as mensagens de forma adequada para a imprensa e em seus discursos. Além disso, você deve enviar pautas constantes à mídia, para garantir uma imagem positiva e fazer com que os eleitores sejam informados sobre as realizações do político.

Por fim, realizar o monitoramento das notícias, como uma forma de controlar crises e planejar novas estratégias, estando sempre ciente dos feedbacks que os eleitores e a sociedade em geral estão fornecendo sobre o seu cliente nas mídias.

Sim, a assessoria pode evitar crises e até construir vitórias

Sobretudo durante as campanhas eleitorais, fatos e boatos surgem a cada instante, com o intuito de desmoralizar o político e converter a opinião pública a respeito do candidato. Uma boa assessoria de comunicação e relações públicas focada em políticos tem a possibilidade tanto de conquistar a opinião dos eleitores, como de gerenciar as possíveis crises de imagem que eclodirem.

Este é o momento que você como assessor deve ter o maior jogo de cintura. Monitorar as informações sobre o candidato e seus concorrentes precisa ser tarefa constante. Além disso, a assessoria deve saber driblar os falsos boatos, comprovar a falsidade em conjunto com a assessoria jurídica e enaltecer as qualidades e ideologias dos políticos assessorados.

Recentemente, acompanhamos um escândalo que saiu na mídia internacional e que pode ser considerado um dos principais fatores que desmoralizaram a campanha da candidata à presidência dos Estados Unidos em 2016, Hillary Clinton. O político Anthony Weiner, marido da principal assessora de Hillary, foi acusado formalmente de possuir material pornográfico com crianças e de ter compartilhado materiais sexuais com uma menina de 15 anos.

O fato, mesmo tendo uma relação indireta com a candidata, teve participação ativa em sua derrota na campanha eleitoral americana. A assessoria de imprensa de Clinton chegou a alegar que as notícias eram falsas, porém foi ineficiente para evitar a desmoralização.

Por outro lado, ainda nos Estados Unidos, vivenciamos em 2008 uma atuação extremamente positiva por parte da assessoria de imprensa e Relações Públicas do ex-presidente Barack Obama. A campanha vitoriosa foi marcada principalmente pela descentralização da comunicação, em um modelo focado também nas mídias online, que atingiram milhões de leitores e usuários, resultando inclusive em forte doação financeira dos eleitores para a campanha. A unicidade da campanha, com uma comunicação totalmente integrada, foi marcada pelo lema “Yes, we can” (sim, nós podemos), utilizado em todas as mídias e que se tornou rapidamente em uma das frases de campanha mais conhecidas (e repetidas) da história da política mundial.

Além disso, uma lição que os profissionais de comunicação devem tirar da campanha de Obama é a de realizar um media training efetivo com o candidato. A postura de Barack Obama diante das entrevistas, coletivas de imprensa e principalmente mídias sociais foi exemplar. Soube definir bem e segmentar as suas personas, conseguindo alinhar o conteúdo ideal para conversar com cada uma delas e em diferentes estágios. Parece simples, mas, como o candidato é uma figura pública importante, deve saber dialogar com diferentes níveis sociais.

Além disso, ser criativo é capacidade fundamental ao assessor de imprensa e relações públicas. Garantir que o candidato esteja sempre em exposição positiva na mídia é imprescindível. Porém, o ideal é conquistar essa visibilidade por meio da mídia espontânea, ao construir com os jornalistas uma relação de confiança e credibilidade. As notícias que forem veiculadas sobre o candidato têm um forte poder sobre a opinião pública. Por isso, monitore-as sempre para saber o que está sendo dito por aí!

Monitore constantemente

Sim, o mais importante passo para o assessor é estar ciente de tudo que se fala sobre seu assessorado, o partido e sobre os outros políticos, sobretudo se forem concorrentes durante as eleições. Acompanhar o que sai na imprensa pode fazer com que se tenha um novo posicionamento perante algumas notícias.

Além disso, o monitoramento serve para que o assessor possa manter a pessoa pública informada sobre os acontecimentos da cidade ou estado que representa, bem como do país e fatos internacionais de relevância. Cada acontecimento noticiado nos veículos de comunicação pode ser de interesse dos políticos, uma vez que representam os interesses da sociedade e podem determinar novas ações durante o mandato.

Porém, para um monitoramento de notícias bem sucedido o assessor de imprensa deve se lembrar que, atualmente, as campanhas são muito mais focadas nas mídias online que off-line. Isso se deve a diversos fatores. O primeiro é que as mídias online são mais baratas que as mídias tradicionais, sobretudo a televisiva. Segundo, por atingirem um grande número de pessoas em poucos minutos. E, ainda, por contarem com a possibilidade de monitorar a opinião dos eleitores de uma forma muito mais ágil e bilateral. Os boatos na internet correm muito mais rápido do que nas mídias tradicionais, portanto, monitorá-las é obrigatório para o bom assessor.

Para as pessoas públicas, o tempo é precioso e cada movimento é estratégico. Por isso, invista em ferramentas de monitoramento digital, que farão com que a coleta de notícias seja feita mais rapidamente e com resultados mais precisos. Atualmente, existem diversas plataformas online de monitoramento de notícias. O Klipbox é uma ferramenta de monitoramento que realiza uma busca por meio de palavras-chave ou termos, em um banco de dados de mais de 16 mil fontes. As notícias que estiverem disponíveis no ambiente online e que apresentarem as palavras-chave serão reconhecidas e coletadas.

Essa indexação é feita durante 24h por dia, 7 dias da semana devido a uma sofisticada tecnologia que lê e reconhece não só RSS, mas também notícias em site, blog, portais. A partir do momento em que o monitoramento é criado, as notícias são buscadas e ficam disponíveis para o assessor de imprensa e Relações Públicas de maneira rápida, prática e objetiva. Com o sistema de buscas focado exclusivamente em notícias, você obtém resultados mais rápidos e certeiros.

Dessa forma, se você deseja realizar o melhor trabalho para o político que você assessora, pense sempre nestes três fatores: 1. O político é uma pessoa pública que depende de votos para poder realizar o seu trabalho, por isso, necessita de estar sempre em evidência na mídia, uma vez que as opiniões sobre as pessoas mudam e elas acabam se esquecendo dos grandes feitos do candidato; 2. A vida pública é muito dinâmica e os candidatos devem ser constantemente treinados, uma vez que estão sempre em exposição na mídia e sempre questionados quanto às suas realizações; 3. Monitore tudo, o tempo todo!

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